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24/03/2008

Memórias do Cafofo - Passado passado

Gente! Estava vasculhando meus arquivos salvos no e-mail e achei essa pérola, que é um e-mail que mandei pra uma pessoa que mantive um relacionamento a um tempo atrás. Li e achei interessante e resolvi partilhar com vocês esse fragmento da minha intimidade. Claro que tive de fazer alguns cortes, tipo nome de cidade e da pessoa, mas de resto o texto está na íntegra. Um testemunho de puro amor. Boa leitura!


by Leonardo Bergonci

Oi...

Não sei onde tu tá... é a coisa mais ruim que tem te encontrar...
bem... se não fosse tu mandar aquela mensagem dizendo que tava em
(...), eu teria mandado mensagens pra ti... aliás.. por pouco que não
mandei mesmo... uma cheia de desaforo... pela demora tua em dar
notícias... já saquei que tu curte mesmo é viver no anonimato...

Primeiro as broncas agora... quer dizer que esqueceu teu celular em
casa? Ou não levou de propósito? Pra tipo, eu não te ligar e estragar
um encontro teu com "alguens"... muito suspeito isso... não gostei nem
um pouco... tu pode não se importar e não ter ciúmes de mim... mas eu
demonstro que te amo assim...
E nem pra me dizer quando volta pra (...)... " To em (...), nas
Termas... To em (...), nas Termas..." Me disse isso duas vezes nas
mensagens... Agora não sei se posso te ligar pra teu aniversário
porque de repente atende teu pai...

Então... pra não te comprometer... Deus o livre de eu fazer isso...
não vo te ligar... tá? Assim tu fica mais relax, não corre o risco
do pai atende o telefone... nem de estragar possiveis encontros...
enfim... um respeito total ao cara que ta te escrevendo esse e-mail...

Bom depois de descarregar a minha raiva (não toda, ainda to com raiva
de ti) vamos aos outos assuntos... Não sei o que te comprar de
presente... aliás... acho que nem vo te dar nada... já que tu não liga
pra datas, então não vai ligar se eu esquecer de te comprar um
presente né? Assim talvez tu se espriritualise mais e deixe de ser
materialista (não que tu seja)...

Ia te mandar uma foto mas mudei de idéia... vou te mandar com esse
e-mail só um abraço... bem frouxinho... nada de abraço apertado...
Aproveite as Termas! Cuidado pra não se afogar hein?!

Ass.
Uma pessoa desconfiadamente de cara...


Escrito por ___°___LëoOo às 00h03
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07/03/2008

Memórias do Cafofo - Inexplicavelmente

By Leonardo Bergonci

 

 

 

Meu Deus! Estava agora a pouco deitado na cama, admirando uma atração super-educativa da Globo (BBB) e não me dei conta de que hoje é quarta-feira e temos futebol na poderosa! Mas que alegria! Desesperadamente procurei algo em outros canais, algo que exigisse um mínimo de intelecto quando, de repente, uma avalanche de antigas lembranças me vieram à cabeça. Só consegui identificar que eram de por volta de 2004/2005.

Foi uma coisa, como posso dizer, fantástica! Do nada, do absoluto nada no qual estava imersa a minha mente enquanto eu olhava a TV, e sem eu esperar puf! Pulam mil imagens, músicas, sons, vozes, cheiros, sensações de tanto tempo atrás, tudo de uma vez. Tá, não é tanto tempo atrás, mas parece que aconteceram a tanto tempo, e me trouxeram um sentimento saudosista tão profundo que tive de vir correndo e me sentar ao PC pra registrar esse momento. Cheguei até a desligar a televisão! Pois é pois é pois é!!!

Principiando com o Garota Verão de 2004, que eu assisti em casa com a minha tia logo nos meus primeiros dias morando no Rio Grande do Sul. Me lembro que era um dia nublado e que na ocasião um corpinho da terrinha estava participando do concurso. Logo depois me veio à mente uma sigla que mudou a minha vida: ICQ.

Então meu subconsciente começou a trazer de volta à tona montes de nomes de pessoas que conheci, gente que conversei pelo ICQ e que em algum momento da minha vida se foram sem que eu me desse tempo de perceber. Se foram da mesma forma que chegaram, sem explicação. Aconteceu. E eram papos tão bons... Florianópolis, Porto Alegre, São Paulo, Buenos Aires, Santa Cruz de la Sierra, Washington, Nova York, Londres, pessoas de todos esses lugares (e elas eram mesmo porque eu conversava em inglês e espanhol. Sim eu sei falar inglês e espanhol. Não, eu não me acho) se foram, junto com a minha conta do ICQ.

Junto com essas pessoas vieram aromas (Capricho e Kaiak, super comuns por sinal), vieram passinhos de dança (Amor de Rapariga Não Vinga Não, sim eu dancei), vozes (Sal/Berga, Doce/Vrum-vrum, Peity, Alfafa, Negão, Consk, Tuberculosa, Pai N.A. e Wakera ) e vieram imagens (Bob Esponja, João Tartaruga, CNEC, o filho do Chuck, cabelos pintados de preto e 8 Hanks)

Vieram músicas de diversos cantores e bandas: Maria Mena, Blink 182, LS Jack, Avril Lavigne, Evanescence, Pitty, Marjorie Estiano e tantas, mas tantas outras que eu não sei o nome e não sei quem canta, só sei que voltaram e me deixaram assim, completamente perdido.

Não sei porque esses lembranças vieram assim, tão subitamente, com essa força que me arrebatou da cama e me empurrou para o PC para partilhar, com quer que esteja lendo esse texto agora, esses momentos da minha vida.

Talvez seja um grito do Leonardo do passado para esse Leonardo que vos escreve agora, em forma de pedido para que tanta história não fique apenas nos anos que se foram, mas sim viva dentro dele a cada dia que vem, lembrada com carinho e respeitada pela valor que essas pessoas e momentos proporcionaram para que o Leonardo de agora torne-se sempre uma pessoa melhor.

 

PS. Logo aí abaixo vai um trechinho de uma das músicas com vontade própria que pularam na minha mente, e olha que essa tem muita história. Quem souber canta junto:

 

(...)

Como as folhas, como o vento

Até onde vai tal firmamento

Toda hora, enquanto é tempo

Vivo Aqui, esse momento

 

Hoje aqui, amanhã não se sabe

Vivo agora, antes que o dia acabe,

Esse instante, nunca é tarde,

Mal começou e eu já estou com saudade

(...)

 

E já estou com saudade mesmo. E como estou...

 


Escrito por ___°___LëoOo às 09h20
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29/02/2008

Perdoe seus amigos

Quinze anos atrás, uma mulher interessante, carinhosa e divertida, que havia sido uma amiga maravilhosa por vinte anos, cometeu um ato que eu julguei desleal. Imagine meu desgosto e horror! Uma decisão egoísta vinda de alguém que eu até então julgara amiga! Apesar de um ano de tentativas da parte dela, nós nunca mais voltamos a nos falar.
Agora ela se foi e se eu estava com razão na época tenho o orgulho de continuar com a razão. E freqüentemente chego a passar até uma semana inteira sem sentir saudades dela.


Wendy Reid Crisp - Do livro "Faça o que eu digo, não o que eu fiz".



by Leonardo Bergonci


Escrito por ___°___LëoOo às 10h11
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19/02/2008

Memórias do Cafofo - Desabafo

By Leonardo Bergonci

 

 

Por mais que eu tenha consciência que não se deve ligar a TV nos fins de semana, eu acabo sempre sucumbindo a esta droga. Num sábado comum em Santa City, um calor desgraçado, estou semiconsciente na cama com o ventilador a mil. Tento resistir, mas a falta do que fazer me vence. Não quero algo intelectualizante como um livro, quero simplesmente assistir televisão. Pego o controle remoto, ligo a TV e imediatamente sou bombardeado com uma gama impressionante de informações completamente inúteis. Tento trocar de canal, mas não adianta, o mal da falta da criatividade parece ter acometido todos os canais. Sem remédio, deixo no intervalo do SBT, suportando estoicamente um comercial sobre a Tek Pix (ainda vendem isso?) para ver o que vem logo a seguir. Bom Dia e Cia. Ué? Mas esse programa não era só de manhã com aqueles dois insuportáveis apresentadores mirins Yudi e Mariasinha (desculpem, não registrei o nome da outra)? Enfim, desta vez o SBT se supera e consegue colocar no ar um apresentador ainda mais mirim. Não sei o nome da criaturinha então, por convenção, chamarei de Cachinhos Dourados. O fato é que a pobre menininha mal sabe falar e está lá, apresentando o "programinha". Este é o tipo de programa que chamam de interativo, nova febre na TV brasiliana. Funciona assim: tu ligas para o programa (custo de uma ligação de celular de Porto Alegre para Bangladesh) e participa de um dos quadros, que são puzzles que tu tens que resolver competindo com outra pessoa na linha simultaneamente. Para o ganhador, resta escolher um dos prêmios em uma roleta. Há várias coisas: desde Hot Wheels até PS2. A criançada geralmente pede um PS2 e acaba levando uns patins ou uma bola de praia murcha. Maldita roleta!

Mas o que mais espanta desse engodo todo é a Cachinhos Dourados. Juro que nunca vi uma coisinha tão irritantemente bizarra na minha vida. Ela pula, dança "Festa no ap." (que por sinal dispensa comentários), gira, sacode e o mais incrível, sabe ler. Aliás, ela nem olha pra câmera. Passa o tempo todo com os olhos na dália que deve ter por trás da câmera, com instruções do que fazer para "entretenir o público" (Frase da cabeça da nova legião de apresentadores, Luciana Jimenez). Volta e meia, depois de tanto rodar, Cachinhos meio que fica tonta e tropeça e quase cai, assustando as crianças que estão assistindo em casa. Um horror!

Fora que a pessoa que escolhe o figurino dessa criança deveria ser queimada viva, sim porque hoje essa menina mal tem consciência do que faz, mas quando a Cachinhos for adolescente e realizar que ela usou aqueles trajes indescritivelmente pavorosos em um canal de comunicação em massa, vai querer no mínimo morrer. Pra quem ainda não conseguiu visualizar, vou dar uma amostra: Imagine vestidos armados, com saias rodadas, algo como um cogumelo, tipo Amanita muscaria, com bolinhas brancas e tudo. Tá, agora coloquem uns babadinhos, aliás, muitos babadinhos, umas manguinhas balonê e um corpete cheio de topinhos, adicionem também uma meia calça branca com sapatinho à Noviça Rebelde e... Pronto! O look é esse! Uma moranguinho trash e piegas. Detenhamo-nos na maquiagem e cabelos agora. Imaginem uma pessoa com baby liss (não sei se é assim que se escreve, me surpreendi até com o balonê ali em cima), tá, agora imaginem uma pessoa que fez baby liss e depois fez permanente. Bingo! Agora a maquiagem de Emília do Sítio do Pica Pau Amarelo e pronto! Quem a princípio vê a Cachinhos andando, pulando e tropeçando pelo programa tem um primeiro impulso de achar que está passando o filme da Noiva do Chuck, o boneco assassino, mas depois percebe que é algo bem pior e que a boneca que faz a Noiva do Chuck no filme se movimenta e atua bem melhor.

Ai gente, me deu náusea, na boa! Cadê os pais dessa criatura? Ninguém realiza que aquilo é um lixo? Não é fofinho! Ela não é engraçada! É bizarro, brega, argh! Aquela guria tinha que tá em casa brincando de Barbie e não estragando ainda mais as tardes da já péssima TV brasiliana de fim de semana!

Cachinhos, um conselho: vá pra casa, penteie esse cabelo, lave o rosto e vista algo decente e, por favor, afaste-se das câmeras!


Escrito por ___°___LëoOo às 07h41
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17/12/2007

Memórias do Cafofo - Sozinhos no mundo

By Leonardo Bergonci

 

 

Pois é gente, tenho observado os muitos estudantes desta universidade e percebo cada vez com mais freqüência que existem pessoa sozinhas no mundo. E isto fica ainda mais evidente quando a gente se encontra nas filas da UFSM, principalmente na do RU. Não sei se é algum mal que acomete essas pessoas ou se elas têm problemas motores ou simplesmente são autistas por opção, o fato é que elas nunca percebem que vem alguém atrás na fila.

A começar pela fila de passar os créditos. Tu chega pra almoçar e depara-se com uma fila caracolesca de uns duzentos metros pra mais na porta do RU. Tu chega na fila e espera pacientemente a tua vez de passar o cartãozinho no leitor pra comer, só que o indivíduo na tua frente não anda porque encontrou o amigo dele lá de São Bento dos Butiá do Sul e os dois, sozinhos no mundo, travam uma animada conversa atravancando o progresso da fila. Superado esse obstáculo, a fila arrasta-se mais um momento até que pára novamente,  outro indivíduo agora resolve consultar seu saldo de créditos em pleno meio-dia na cabine dos créditos, fora isso, ele pede como vai a mãe, o cachorro e quiçá o papagaio do bolsista da cabine, porque os dois são amigos de infância lá de São João da Conchinchina.

Finalmente o bufê, e a criatura na tua frente, autista, deficiente motora e sozinha no mundo, descansadamente seleciona as folhas de alface que mais lhe convém, após, passa para o arroz, colocando duas colheres e pra finalizar mais uma colheradinha (menos de 20g)! Pra quê isso??? Aquela pitadinha final com a colher??? Vai fazer tanta diferença assim 3 grãos de arroz a mais??? Depois o Feijão, nivelando a quantidade dentro da concha, além de depois da primeira servida, colocar outra, mas dessa vez filtrando só o caldinho. Mas que petulância! Não obstante, na hora da carne: Ai tia! Põe aquela carne ali! Não, aquela ali, isso! Posso pegar mais molho? Depois mais 15 minutos escolhendo a banana e o copo de suco mais cheio que suas mãos limitadas motoramente conseguirem alcançar. Até esse momento você agradece por não ser permitido andar armado neste país, mas bem que tu gostaria de ter uma magnum nesse momento na tuas mãos.

Após o almoço, o que fazer? Devolver a bandejinha e o pratinho!!! Entra na fila de novo e logo o desespero toma conta. Novamente os sozinhos no mundo empacando a fila. A indignação toma conta. Tu olha as múmias na tua frente, que levam séculos pra retirar o prato da bandeja, depois empacam de vez pra retirar os talheres, que ainda por cima derrubam no chão! Uma clara comprovação que a deficiência motora está gravemente instalada nesse corpo em questão! Após esses momentos indignantes, com desprezo, tu te perguntas: como que conseguiram passar no vestibular? Depois se acham a elite cultural do país mas não conseguem ser despachados nem pra entregar um prato e uma bandeja, tem que empacar tudo, TUDO! Se esse é o futuro do Brasil, esqueçam de vez a previdência social!


Escrito por ___°___LëoOo às 15h38
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29/11/2007

Memórias do Cafofo – Abobilamento



By Leonardo Bergonci




Sabem, vida de universitário não é fácil. Vida de pré-universitário é mais “não fácil” ainda! Sim, porque meu trabalho é dobrado. Tenho de me virar com meu 2.5 (Técnico) e ainda estudar pra alcançar o 3.0 (Superior). Porém, o que mais me incomoda, de longe, são as filas. Argh! Odeio filas. É fila pra biblioteca, é fila pra comer no Restaurante Universitário – RU, é fila pra tomar banho (quando na União), e lá se vão as filas, tão longas que nem consigo enxergar o fim delas e quantas mais teria-se para elucidar. Elas não nada práticas, perde-se tempo precioso nas filas, tempo que poderíamos usar para... dar uma dormida após o almoço, por exemplo! Muito importante e que ainda por cima contribui para aumento do intelecto em cerca de 30%, segundo estudiosos de Harvard. Porém, contudo, todavia, entretanto, as vezes a gente passa uns momentos engraçados nas filas. Esta aconteceu na fila da saída do RU. Com nossas sobremesas, bananas que já deram cacho, à mão, caminhávamos a passos lentos em direção à porta eu, Letícia, minha colega de quarto/sala/cozinha, e Ner, meu amigo e multi-universitário.
Estávamos olhando a forma curiosa da banana, sua curvatura, modelo anatômico e coloração característica enquanto. De repente, a fila estaqueou e não andava mais. Letícia soltou:
- Ai que coisa! Vô tacá essa banana em alguém se essa fila não andar.
Ao que Ner alfinetou:
- Me desculpe, mas tu só vai fazer é desperdiçar a banana na cabeça dessa mumiarada aí. Guarda que o potássio vale mais!
- Na verdade – completei eu – se morássemos na Austrália a Letícia poderia tacar a banana sim.
- Porque? – questionaram.
- Porque na Austrália os aborígenes inventaram o Bunarangue.
- Como assim? – inquiriu Letícia enquanto Ner já levava a mão à testa com uma expressão de “lá vem...”
- O Bunarangue, uma banana bumerangue. Vai lá, taca na cabeça e volta descascadinho! Só precisa pescocear a cabeça pra cima e engolir a dita! Com cuidado pra não se engasgar...
E ficamos horas divagando sobre a contribuição do povo aborígene da Austrália para com o aumento do consumo de potássio nos países de terceiro mundo exportadores de banana, como o Brasil, passando também pela imprescindível contribuição da maior garota propaganda de banana que o mundo já viu, Carmem Miranda, que já levava as bananas na cabeça, uma clara alusão à invenção dos aborígenes australianos inventores do Bunarangue.
Posteriormente às nossas divagações descobrimos que Carmem na verdade não morreu do coração como todos pensam, mas sim engasgada com um Bunarangue que ela lançou sem dominar muito bem a técnica aborígene.
Concluímos então que devido a este terrível incidente, a técnica do Bunarangue Australiano foi mantida em segredo até ser descoberta acidentalmente por nós, porém não nos responsabilizaremos por eventuais acidentes.






Escrito por ___°___LëoOo às 13h52
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05/11/2007

Memórias do Cafofo - Tão Unsexy

By Leonardo Bergonci

 

Acordei quando o dia raiou

O dia estava nublado

E minha alegria murchou!

Detesto quando não tem sol.

Já com a cara lavada

Coloco o primeiro trapinho

Checo o visu e constato

Putz! Mas tô sem-graça!

Na rua eu conto os passos

Cruzo o caminho pra ninguém encarar

Começa uma garoa chata

E eu deixei o guarda-chuva em casa.

Agora o almoço, o que há?

Hoje tem musse de chocolate

Que acabou bem na minha vez

Mas tem carne de porco, que eu odeio.

Eu na rua de novo,

E tem um corpinho lindo na minha direção

Faço cara de quem não viu. Charminho

E minha camiseta do avesso. Não vi.

Tenho fobia de fila e me encontro em uma

Serpenteosa, enorme, desperdício de vida

Me analisam. Que foi? Me achou bonito?

No reflexo do vidro vi o sinal da pasta dental.

Lá vem o corpinho lindo de novo

Olho a hora e nem registro

Celular na mão fingindo que falo

Nokia Tune. Que hora pra mãe me ligar.

No ônibus eu observo o caminho

Toca uma música que eu gosto

Bem feliz eu canto junto e erro a letra

Eu que achava que sabia inglês.

Olho as vitrines. Os pila contado

Calça bonita em quatro vezes

E ficou bem em mim! Amo crediário

A Mariasinha eu pago depois.

Odeio esperar o ônibus. Tanta gente!

Olho ao redor. Que bando de pobre

Mas tô feliz. Seguro bem a sacola

Minha calça de quatro vezes.

A noite cai ligeira. É hora da janta

Eu como pouco, cultuo o corpo

Não uso açúcar, uso adoçante

No café conto três jatinhos.

Deitar e dormir. Não há dogmas

Eu sou agnóstico e tenho sono.

As sete horas eu pulo.

E lá vem tudo de novo.

 


Escrito por ___°___LëoOo às 13h07
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08/10/2007

Memórias do Cafofo - Revival

By Leonardo Bergonci                                  

 

 

 

 

Não parece, mas já estamos em mais um fim de semestre do nosso beloved curso Técnico em Agroindústria. O último semestre, diga-se de passagem. Por todo esse tempo muitos de nós continuaram firme em busca do diploma do 2.5, muitos de nós desistiram, mas com certeza a caminhada valeu, e continua, a valer a pena. Bom, com alguns descontos né.

Nessa primeira semana de outubro ocorreu o... (nesse momento a fanfarra toca, as pombas voam, os fogos de artifício explodem e o gurizinho barrigudo tira o dedo do nariz para ouvir): 1° SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE PRODUTOS CÁRNEOS FERMENTADOS!!! (grilos cricrilam). Foi esse o efeito que me veio na cabeça sobre este “Top Simpósio “ que aconteceu no anfiteatro do CCR. Gente, nem sei por onde começar, mas vamos lá. Os palestrantes foram algo à parte.

Well, a maioria esmagadora com doutorado aqui e acolá. Uma coisa linda, um primor, o supra sumo do ensino superior que vieram propagandeados por faculdades da Espanha, Dinamarca e não sei mais que outros países da Europa. Um luxo pensa o leigo leitor. Erro crasso eu lhes digo! A única coisa que apresentaram (e provaram) é que diploma de fora não é garantia de qualidade e sim de prolixidade que, aliás, foi o que não faltou no simpósio. Palestras maçantes e nada dinâmicas, com palestrantes introspectivos, com péssima dicção e com declarado descaso para com as normas da língua portuguesa (refiro-me aos slides no Power Point apresentados, doíam nos olhos). E o detalhe: quase todos formados por universidades federais tupiniquins, as quais todos têm o costume de engrandecer pelo simples fato de que, para se entrar, deve-se ter a capacidade de decorar mil e uma fórmulas e datas para passar pelo vestibular – uma prova realizada pelo governo para atestar a total incapacidade de gestão educacional do próprio governo -  friso meu.

Claro que eu não fiquei para ver o final do simpósio (eu sei, nada muito ético). Isto porque uma amiga, Vanessa, convidou-me para visitar o Museu Sacro de Santa Maria. Para começar, nem sabia que existia, porém de pronto aceitei, e com o tempo se armando para a chuva, com raios e trovões (bem castelo Rá-Tim-Bum essa né?) fomos para o centro. O museu fica anexo à Catedral, no subsolo. Aproveitando a ocasião, entramos na Catedral para dar uma espiada nas obras. Vitrais magníficos doados por algumas famílias da cidade e afrescos de Aldo Locatelli. Um “petáculo”! No museu haviam várias obras em ourivesaria, bíblias antiquíssimas, vestes e apetrechos para os atos litúrgicos e etc. Claro que a Vanessa bombardeou a mulher que estava cuidando do local com várias perguntas. Eu, como de arte sacra não entendo nada, fiquei bem interessado nas explanações da fofa que nos explicou os usos de alguns dos objetos que ali se encontram, dentre outras coisas. Algo que me chamou a atenção foi uma estátua do século XVIII de Nossa Senhora. Toda entalhada em madeira com olhos amendoados, isto porque foi trazida de uma das reduções jesuíticas, provavelmente São Miguel, e muito provavelmente também, tenha sido esculpida por algum bug... ops! Algum índio. O interessante é que a estátua é oca por dentro. Então a “explicadora” nos disse que por causa dos ataques de ladrões às caravanas que passavam pelo Rio Grande nos tempos em que uma olhada torta era motivo pra terminar na facãozada (hoje termina-se no balaço mesmo), faziam as estátuas ocas para pôr o dinheiro dentro. Assim os meliantes não achavam o dinheiro e as pessoas podiam continuar com suas merrequinhas a salvo. Embora ela não nos tenha dito, mas eu sei, essas estátuas ocas eram utilizadas também para “impressionar” os índios. Algumas eram grandes de modo que uma pessoa poderia entrar dentro. Então, imaginem, o índio vai lá e faz uma cagada na redução. O padre fica puto e não sabe como punir o vivente. Manda ele se confessar com os santos. O guasca vai lá e se ajoelha na frente de São Jorge e começa a rezar (São Jorge, uma estátua oca, detalhe) e de repente São Jorge diz: Meu guri, não faça mais isso ou irás arder no mármore do inferno! – Tudo isso num Kaingang impecável. Sacaram? Artifícios da igreja, os quais ela não usa mais, é claro. Falando nisso, carnaval agora é um dia só, com censura e guaraná em pó.

Após, fomos ao Gama d’Eça, outro museu de Santa City. Fica localizado num palacete que antes pertenceu ao Dr. Astrogildo de Azevedo que foi um ilustre da cidade. Lá observamos vários objetos, aparelhos e afins que pertenceram à UFSM e que estão permanentemente à mostra. Na verdade, o museu pertence à UFSM, porém possui outros artigos interessantes, como mobiliário, porcelanato,  fotografias, uma pequena coleção de moedas antigas, além de alguns exemplares de insetos, crustáceos, fósseis e animais empalhados.  Altamente cultural.

Para fechar com chave de ouro nossa empreitada do saber, fomos na Renner! Por lá olhamos os trapinhos que estavam na promoção e etc. Foi quando meus ouvidos detectaram um som, de mau gosto ímpar diga-se, que começou a tocar no rádio da loja. Começou com uma melodia pegajosa, que se arrastou como uma lesma gosmenta até culminar num refrão bagaceiríssimo e ininteligível. Era Ragatanga, a música indecifrável de um fossilizado grupo girlband, que estava tocando. Lembram? Escreverei um trecho, do refrão da maneira que eu o entendo. Talvez os leitores consigam relembrar deste Estegossauro sonoro (porém não deviam). Aqui vai:

 

Acere-rê

Darrá, derrê

Derrê betu berrê

Beisuimbi umba umba

Umarrabi ande bugui ande buí ri ri pi

 

Lembraram? Já alerto que me nego a repetir essa atrocidade musical. Se não me engano é da efemeríssima Rouge, banda relâmpago (ou flash band) que surgiu com este e mais outros “hits” como Brilha la luna. Uma coisa que nunca entendi nessa Rouge (de vergonha) é porque que elas cantavam uma mesma música metade em castelhano e metade em português... Sei que elas copiaram essas músicas de uma também flash girlband argentina, Las Catchup (no comments). Talvez por isso. Não souberam traduzir a música toda e deixaram meio a meio. E como todo brasileiro acha que fala castelhano, ficou por isso mesmo e virou hit...

De repente me deu um insight. Acabo de entender o que a cantora alemã do Terça Insana quis dizer quando falou que “a povo b-r-r-rasilei-r-r-ra é muito musical”, que “a povo b-r-r-rasilei-r-r-ra acha que mu-s-s-sica contempo-r-r-rânea é chata, é biza-r-r-ra”, mas que na visão dela bizarro era “ficar-r-r dentr-r-ro de um táxi ouvindo pagôde”.

Depois dessa terminamos indo na Riachuelo e finalizamos com uma visita à Tok de Classe (um luxo) à procura de um óculos escuro para mim, pois estava necessitado. Claro que não achei o meu dito óculos, mas a visita não deixou de ser frisson, pois vi de perto um “Chanel” naquela loja.

Este foi um dia atípico e que não prometia nada. Começou enfadonho e prolixo, para terminar numa forma cultural, modística e com um toque de revival musical. Gostei! Acho que vou sair mais, visitar mais lojas e ver que tipos exóticos de musicalidade eu posso encontrar. Se continuar assim, escrevo uma tese sobre o assunto.

 

 


Escrito por ___°___LëoOo às 16h28
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11/09/2007

Memórias do Cafofo - Aulas

By Leonardo Bergonci



Bem, cá estou eu mais uma vez para relembrar fatos, expor memórias, esmiuçar coisinhas da minha estadia aqui em Santa Maria City. Agora me encontro no 4° semestre do meu beloved técnico em Agroindústria que está cada vez mais, como direi, intrigante.
A começar por esta narrativa que faço, ocorrida na verdade no 3° semestre, mas da qual eu só me puxei para escrever agora (perdoem-me).
Durante algumas semanas incertas tivemos aulas-noções de contabilidade, com uma professora muito querida e muito alemã de cabelos rebeldes; amotinados; uma Al-Qaeda capilar.
A Professora já chegou abafando, dizendo-nos que nosso curso estava sendo grafado errado! (...) Pausa de indignação.
Mas como isso? Pergunta-se meu dileto leitor. Pois bem, atualizá-los-ei.
Segundo a professora Elza Teuto-Soares (bom, eu não posso falar o nome dela né! Mesmo porque nem lembro...) nosso curso não podia chamar-se Agroindústria porque para ele ser “agroindustrial”, teríamos nós, para confeccionarmos nossos pãezinhos, plantar o triguinho, colhê-lo, convertê-lo em farinha, para assim, fazer o pão e vendê-lo com o selo de ouro e pureza Abic de Qualidade de Produto 100% Agroindustrial, captaram o conceito? Ou seja, se formos fazer morcela, ou morcilha (odeio), teríamos de criar o porquinho desde tenra idade até o dia de ele sair em forma de salsicha no moedor.
Sugeriu-nos então a Profe Elza, que o curso deveria chamar-se Técnico em Indústria Agropecuária, ou algo do gênero, uma vez que não plantamos nem criamos nossas matérias-primas. “Olha fofa, reclame com o Polli (coordenador do curso) porque quando a gente chegou já tava assim” dissemos.
Bom, essa foi a parte da aula que eu ouvi... o resto dela estive num coma profundo e só voltei a mim quando minha colega-amiga-personal-iluminator (não direi o nome para não constrangê-la), num desabafo confessou pra mim:
“Ai, eu queria dar uma banho de creme no cabelo dessa mulher... Nessa Jane Fonda Tupiniquim...”
Mas no geral a aula foi interessante, pra mim que estou no terceiro técnico, serviu para descobrir algo que eu sempre soube... que eu abomino, desprezo, odeio a matemática. Logo a contabilidade vai junto no barco das possibilidades excluídas para o vestibular. Tio Valmir (que é contador) que me perdoe, em mim não vingará este ramo profissional na família...


Escrito por ___°___LëoOo às 13h06
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30/08/2007

Memórias do Cafofo - Viagens

By Leonardo Bergonci

 

 

 

 

Viagens, viagens, viagens! Como é possível cansar-se delas? Ainda mais se as companhias são legais? Pois é, essa foi minha primeira (e última) viagem à Expointer. Sempre digo pra mim mesmo: feira é sempre a mesma coisa; é boi, é vaca, é galinha, é cavalo, gente andando e parando abruptamente na tua frente, estresse, dor nas pernas, fome e cansaço. Mas eu nunca aprendo, sempre acabo sucumbindo a essa tentação em viajar, ainda mais quando é de graça a carona (no caso o CPUFSM nos levou).

Saimos às seis e uns atrasos da UFSM em direção a Esteio com o bus do Politécnico. Logo de início as gurias quase embarcaram no ônibus errado – o do CCR – pensando que fosse o nosso. Na metade da escada o motorista botou elas pra fora. Quem seria? Uma dica: Começa com “T” e termina com “ássia”. Incrível que em viagem com colegas a gente sempre acaba exercitando nossos talentos em canto né? Fomos de Avril Lavigne ao Hino Nacional, passando também por Sandy & Junior porque agosto é o mês deles na MTv.

Às portas da Expointer não pudemos entrar de graça porque dia de estudante era somente segundas e terças-feiras (estávamos na quarta), então teríamos de desembolsar sete pilas pra entrar – gostaria de fazer um friso e parabenizar a coordenação e organização da viagem que mostrou-se extremamente incompetente em não ligar antes para obter informações sobre a entrada de estudantes além de também não se atiparem em acessar a internet e averiguar informações sobre a entrada. Palmas à competência do ensino técnico federal.

Frisos e reclamações à parte, (pagamos três e cinqüenta após muito blá blá blá) ri muito na viagem. Eu e mais duas amigas (Claudinha e Helin) formamos uma liga de super heróis (?) entre uma mordida e outra no cachorro-quente mais vegetariano que eu já comina na vida (até salsinha tinha). Claudinha transformou-se na Menina Mamadinha, com o super poder de absorção de álcool e o raio reto-passivo alcoólico. Helin transformou-se na Super Pig com o poder da Ronca-Fuça e eu no Garoto Hipérbole com o poder das Piadas Infames. Fizemos 20km dentro do parque de exposição caminhando e olhando as milhares de barraquinhas com bugiganguinhas pra se olhar. Refleti e soltei: “Tem tanta coisa, e ao mesmo tempo, não tem nada pra se ver aqui”. As meninas quase choraram. Claudinha eu amparei porque estava ao meu lado, já a Helin não consegui pegá-la a tempo e estatelou-se no chão. Foi a emoção ou o mega-calo que ela tinha no pé? Mistério.

Compramos algumas cocadinhas (quatro por cinco pila) e voltamos ao bus. Na volta a Santa o povinho do fundão, num acesso de inveja e despeito, começou a cantar também. Obviamente que o repertório era bem pior, mas a gente não se abalou por isso, com exceção da Helin, que sucumbiu ao Sertanejo Music, uma grande perda para a Liga. Faremos uma reunião no QG sexta-feira e trataremos com Super Pig do ocorrido.

 

 


Escrito por ___°___LëoOo às 15h10
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13/07/2007

Memórias do Cafofo - Reflexões

Conversas filosóficas na aula do Polli (professor de técnicas da carne) explicando a conexão de uma lingüiça com as mudanças idiomáticas, mostrando que podem implicar em estrangeirismos. Parece tese de doutorado, mas é bem isso mesmo. Aqui vai.

Estava eu e algumas colegas minhas fazendo embutidos frescais de massa grossa (oh!), e dizia eu:

- Não gosto de lingüiça de carne de porco... -Que lingüiça? – disse uma colega – Isso é salsichão! -Não – rebati eu – Salsichão é uma salsicha grande! Isso aí que estamos fazendo é LIN – GÜI – ÇA! Que por sinal nem vaiv ser lingüiça por muito tempo! -Ué, porquê? -Porque vem por aí mais uma reforma ortográfica e lá se vai o trema e circunflexo. E o que a gente vai fazer é linguiça. -Ai, mas fica estranho né? Dizer linguiça... – comentou minha colega Mas onde entra a variação idiomática implicando em estrangeirismos, deve estar indagando-se o leitor desta boba... er... deste texto. Bom imagine a cena: Um cara entra num açougue qualquer do interior cujo dono é um vivente que nunca ouviu falar em ortografia nem nunca escreveu uma palavra polissílaba. Pois bem, chegando no açougue o cara pede:

-Me vê dois quilos de linguiça.

Partindo do pressuposto de que, já que não existe mais o trema, não há a necessidade de se pronunciar o “u” nesta palavra, formando um bagulho só. Formando uma LINGUIÇA, do mesmo jeito que você fala GUIsado! Entendeu? Desculpem, não sei explicar didaticamente, enfim, esta é a idéia. Então o vivente sem entender pergunta:

-Que que o sinhô qué?

-Dois quilos de linguiça!

-Linguiça? Ah, o sinhô qué lingüiça! O sinhô é estrangero né?

Já entendendo que o cara provavelmente escreve Porto Alegre com circunflexo simplesmente rebate:

-Não sou estrangeiro, sou reformado...

-Ah, então o sinhô era milico!

Após cinco minutos de reflexão o cara compreende o que o açougueiro quis dizer. Desiludido, pega a linguiça e vai embora.


Escrito por ___°___LëoOo às 14h00
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11/07/2007

Memórias do Cafofo - Momento Reflexão

Passei uma tarde toda procurando joaninhas pela rama. Cansado, adormeci, e sonhei com minha própria realidade. Ela andava de mãos dadas com o arrependimento num campo de cinzas sem cor, e no céu havia uma ampulheta mostrando que isto tudo era perda de tempo. Olhei para trás e vi meu passado chegando bem perto, e percebi que este arrependimento era o passado disfarçado tentando me destruir no presente. Quando chegou próximo a mim acordei, e havia uma joaninha numa folha verde como a esperança bem perto de mim. Só tive de estender a mão e ela pulou para cima dela. Dessa vez a culpa será minha se elas se assustar e voar para longe na relva, para longe de mim, e também para nunca mais voltar.

 

Filme assistido: Sob o sol da Toscana

Música: Lithium – Evanescence

               ThankU – Alanis Morissette


Escrito por ___°___LëoOo às 13h00
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20/06/2007

Para onde irá nossa identidade?

Gostaria de registrar a minha profunda decepção para com a minha cidade natal, Tenente Portela. Semana passada, mais precisamente dia 09 de junho de 2007, vi estampada na capa de um jornal da cidade a foto daquilo que foi, e continuará sendo até o fim dos meus dias, uma das mais maravilhosas coisas que eu tive na vida, o VemKmeVer. Surpreso com a foto em si não fiquei, dado o enorme talento e potencial do grupo, liderado pela brilhante Professora Giovana Fornari, é comum vermos estampadas imagens das lindas apresentações e também premiações, que o grupo possui. O que me chocou foi a manchete, que encabeçava a foto do jornal: “VemKmeVer não tem mais onde ensaiar”.
Quando vi, não entendi, e quando entendi, não acreditei. Não acreditei que uma vez mais Portela dava as costas às jóias que possui, e porque não dizer, à sua própria identidade, uma vez que o grupo em questão nasceu da esperança e da criatividade de uma das filhas desta terra, que acreditou e ainda acredita, que nossa cidade e nossa gente tem potencial para ir cada vez mais além.
O VemKmeVer não representa apenas a si, tampouco é simplesmente um disseminador de risos, ele traduz, na arte da representação, a capacidade de criar, de se superar, de evoluir, de crescer, que cada um de nós possui. Acreditar no potencial do VemKmeVer é acreditar no próprio potencial, no potencial de nossa cidade, mesmo que muitas vezes pareça que não há jeito para as coisas.
Vendo aquela foto percebe-se que o VemKmeVer é Tenente Portela, são seus filhos que estão lá, são seus rostos estampados na capa do jornal, rostos do futuro que chegam titubeantes frente a essa incerteza.
È possível que se vire as costas para ele?
Não posso esperar outra coisa além de que Portela não ficará inerte a essa causa, que as pessoas sensíveis e iluminadas, mais uma vez, estenderão a mão para nós, que não admitirão tamanha injustiça contra esta nascente de vida, que é o VemkMeVer.

Leonardo Bergonci
Educando do Colégio Politécnico da UFSM
e ex-integrante do Grupo VemKmeVer


Escrito por ___°___LëoOo às 07h25
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06/06/2007

Memórias do Cafofo - Cala-me

Quebrar a rotina

By Leonardo Bergonci


Há momentos na vida em que me sinto perfeitamente como um robô, ou se não for, algo parecido com um robô, algo pré-programado. Mas falo no sentido cotidiano da vida. A rotina mata a criatividade da gente, realmente, mas as vezes sair da rotina pode ser pior ainda. Por exemplo: Imagine o saco que é acordar todos os dias cedo, até aí tudo bem, rotineiro, mas neste dia fora de rotina tu tens de acordar numa manhã geladésima de inverso, após uma noite inteira de chuva, e assim que tu põe os pés pra fora da cama lembra que não lavou o teu casaco mais quentinho porque não tinha sabão, tudo por culpa daquela praga do cachorro da tua amiga que babou e arrastou o casaco pra casinha dele, fazendo tu procurá-lo por horas até perder uns três ônibus mais ou menos, impedindo, desta forma, que tu passasses a tempo no supermercado para comprar o dito sabão. Mas Tudo bem, vamos de mantinha. Com uma vontade hercúlea tu te levantas da cama, te veste e vai pegar o dileto guarda-chuva. Mas cadê? Tico diz pra Teco que o guarda-chuva foi emprestado pro teu amigo que o levou, já faz uns três meses, e que ainda não devolveu. Humpf... Tá, a chuva nem tá tão forte assim. Duas semanas depois tu gastas 50 pila na farmácia em antibióticos porque pela tua garganta não passa nem chazinho. Bom, esta não é das melhores mudanças de rotina mas, é uma mudança. Ruim, mas é.
Que fazer então? Cair de novo então na rotina de casa-escola-casa-trabalho-casa? Meu Deus onde está a minha criatividade?!
A vantagem da rotina é que eu já conheço todos os meus horários, tenho-os mentalmente cronometrados na minha cabeça. Sei de cor quanto tempo vou levar pra levantar minha busanfa da cama e botar um trapinho, algo em torno de 30 minutos, escovar os dentes mais 15 minutos, ir tomar café 20 minutos, sem contar a ida e a volta... e assim vai mas, as vezes, não dá tempo.
Bah, e ainda tem que arranjar o tempo pra estudar. Na escola basicamente bla bla bla, anota alguma coisa, bla bla bla, conversa, bla bla bla, nhe nhe nhe, quá quá quá. Na verdade sobra tempo sim mas, esse tempo que sobra, não dá tempo pra nada, entendem? É um paradoxo.
Se não me sinto um robô, então uma roda dentada eu diria, encaixada às outras centenas de milhares de milhões, girando num compasso pragmático a cada passo que se dá.
O negócio é que nesse monte de peças que é a vida da gente, esse monte de engrenagens, tem que ter uma contramola que te impulsione à girar ao contrário, só pra quebrar a rotina mas, de uma maneira boa né.
Acho que to falando demais. Mas todo mundo fala um monte de coisa. Falam que manga com leite faz mal, que entrar na água de barriga cheia dá indigestão. Por isso que eu não vou dizer nada, vai ser a minha filosofia de vida. Não dizer nada. Tu que estas lendo, finja que eu não disse nada.
Será que eu acabo isso aqui?
Sei lá, vou sentar e esperar a vida passar, de repente um golfinho salta pela minha janela e quebra a rotina.


Escrito por ___°___LëoOo às 20h52
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22/05/2007

Memórias do Cafofo 2

by Leonardo Bergonci


Viagens à Santa Maria ao longo dos anos não faltaram, seguidamente foram três, uma em cada ano e esta, em especial, foi uma das minhas preferidas. E das mais engraçadas.
O Grid de largada foi o CNEC de Tenente Portela, e a tia-mãe-de-todos Suzete foi quem organizou esta que seria mais uma, no meu caso, viagem à feira das profissões da UFSM. Eu não era aluno do CNEC mas, era uma espécie de “grupo de amigos da escola”, logo, tia-mãe-de-todos Suzete me encaixou na van.
Foram 480 Km em um ângulo de 90° com 30cm para estivar as pernas. São ações como estas que me fazem crer que escolhi a profissão certa a seguir pois, como Fisioterapeuta, estou ciente do atentado que cometi contra minha coluna, membros e articulações.
Na altura de Itaara, enquanto passávamos pelas sinuosas curvas até Santa, tia-mãe-de-todos Suzete, dentro da van, funcionava como um pêndulo, tentando de forma inconsciente, manter a van na pista. Inutilmente, é claro, porque na verdade tia-mãe-de-todos Suzete estava num estado de João-Bobo no mundo dos sonhos, ou seja, dormindo sentada, e a cada curva que a van fazia, Suzete acompanhava num suave balanço, até que alguém a empurrasse de volta ao seu lugar. Hoje, toda a vez que me lembro disso fico com cãibras abdominais de tanto rir. Que Deus me perdoe.
Uma vez na UFSM, encontramos Nelson, uma amigo nosso de Portela que nos levou com a van até a faixa “nove” para o desjejum. De panças fartas rumamos novamente à UFSM e começamos um tour pela cidade universitária, guiados por uma acadêmica de Educação Física chatíssima por sinal. Conhecemos os prédios básicos e et ceteras, um bosque, chiqueiros e fomos para um laboratório do Centro de Ciências Rurais (CCR) onde uma acadêmica (chatíssima também) nos deu uma aula sobre fungos (?). Como portelinos sortudos, conseguimos pegar uma sessão no Planetário, onde no escurinho e cercados por constelações projetadas, dormimos.
De volta aos gramados desta Brasília universitária fomos, de fato, para o parque de exposições onde estava acontecendo a feira. Para mim, jogo rápido: folders, voltinhas, folders, fotinhas, folders, folders, folders, até que: Vamo pro centro almoçá!
Onze em cada dez de nós comeu no MacDonald’s é claro, e pra queimar tanta caloria subimos a Fernando (uma avenida inclinadíssima) a pé.
Ah! A inocência ao andar pelas ruas e se pensar que bugre e ciganos é tudo a mesma coisa. Depois que quase perdi cinqüenta pila aprendi que sementinha mágica que cigano quer pôr na tua carteira não é mágica coisa nenhuma. A não ser que seja pra chamar dinheiro para as mãos deles que, estas sim, possuem movimentos mágicos. Legítimos Davids Blanes do dia a dia.
Finalizando com um giro pelo calçadão e pronto! Encerrava-se mais uma “viagem à feira das profissões da UFSM”. E enquanto subíamos no ônibus observei os olhares de despedida, os comentários entusiásticos com o legado de José Mariano da Rocha Filho e percebi que não fui o único a ter a certeza de que meu futuro universitário se encontrava ali, naquela sede do saber, representada pelo brasão da flor-de-lis.


Escrito por ___°___LëoOo às 13h35
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